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Ex-aluna de Jornalismo apresentará trabalho sobre espetacularização em principal congresso acadêmico de comunicação

Vitória Frederico

A ex-aluna Paula Santos formada em 2018 no curso de Jornalismo do UniToledo teve seu trabalho de conclusão de curso aprovado em congresso da Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação, um dos principais eventos acadêmicos de Comunicação no país. Desenvolvido como TCC (Trabalho de Conclusão de Curso), o projeto “Uma Leitura do Filme O Beijo No Asfalto a partir dos Conceito de Espetacularização e Ética Jornalística” será apresentado na UFES (Universidade Federal do Espírito Santo), em Vitória (ES). O congresso da região Sudeste será realizado entre 3 e 5 de junho.

“Conciliar essa jornada com a faculdade e a produção do trabalho foi muito difícil, mas ter esse resultado me mostra que o sacrifício valeu muito a pena”, afirma a jornalista, que desenvolveu o projeto em um período que trabalhava 11 horas por dia. Em entrevista para o UniToledo, ela fala sobre os desafios do desenvolvimento do trabalho, com a utilização dis conceitos de espetacularização e ética jornalística na análise do filme, e o que significa a aprovação do projeto. Confira:

Como você escolheu o tema do trabalho?
Escolhi o tema quando, durante atividade desenvolvida em sala de aula na disciplina de Crítica de Mídia, conheci a peça O Beijo no Asfalto. Foi aí que me apaixonei pelo enredo e pelo dom de Nelson Rodrigues, autor da peça, de colocar o dedo em feridas e convidar seus leitores a refletirem sobre questões sociais.

Decidi, então, desenvolver um trabalho sobre a peça e, para isso, busquei, junto a professora responsável pela disciplina de Crítica de Mídia na época, Fabrícia Lopes, uma teoria que dialogasse com as ideias apresentadas pelo enredo. Foi quando cheguei à obra Sociedade do Espetáculo, escrita em 1967 por Guy Debord e que já havia sido abordada em sala de aula na mesma disciplina.

Algumas mudanças no percurso me fizeram optar por analisar o filme, de mesmo nome, dirigido por Bruno Barreto, que foi inspirado na peça de Nelson e não teve grandes alterações em seu enredo.

Como foi utilizar conceitos de espetacularização e ética jornalística na análise do filme? – Poderia resumir sua abordagem sobre o tema?
Foi desafiador. Minha intenção, no início, era utilizar apenas o conceito de espetacularização para desenvolver o trabalho. Porém, o filme mostra que a imprensa e a mídia detém grande poder e que esse poder nem sempre é utilizado para esclarecer o público. Muito mais que isso, o filme mostra que, tendo em vista toda essa força detida pelos veículos de comunicação, os mesmos precisam se comprometer muito mais com a verdade e, sobretudo, com a ética. Tendo isso em vista, achei necessário explicar o conceito de ética e desenvolver meu trabalho baseando-me nesse conceito e no conceito de espetacularização.

O espetáculo nada mais é que a substituição do real por aparência, ou, como dito por Guy Debord, a substituição do “ser” pelo “ter”. Traduzindo isso para um exemplo muito comum: as pessoas, de modo geral, julgam necessário registrar, pelo suporte da imagem, tudo que é vivido. Em geral, são poucas as pessoas que vão a determinado lugar ou comem determinada comida, sem tirar uma foto que mostre essa prática. O problema, no entanto, não está em registrar o momento, mas sim na necessidade de fazê-lo. Atualmente, é muito mais importante parecer bem sucedido do que ser bem sucedido, parecer rico do que ser rico, parecer feliz do que ser feliz.

Em contrapartida, quando é o jornalismo que age maquiando a realidade e tentando “vender” imagens que não condizem com o real, ele se afasta dos seus valores e funções e se torna uma ferramenta de divulgação do que Debord definiu como espetáculo.

O que acredita que contribuiu para que o trabalho fosse aceito no Congresso?
Algo que contribuiu, sem dúvidas, foi o suporte que tive da minha orientadora, Cristiane Magalhães Bissaco e da coordenadora do curso de jornalismo, Melissa Carolina de Moura. Ambas sempre estiveram à disposição para solucionar todas as dúvidas que tive.

O que esse resultado significa para você?
Significa muito. Produzi esse trabalho durante um ano muito complicado, porque eu fazia dois estágios, trabalhando 11 horas por dia. Conciliar essa jornada com a faculdade e a produção do trabalho foi muito difícil, mas ter esse resultado me mostra que o sacrifício valeu muito a pena.

Como você está se preparando para a apresentação?
Revisando muito meu trabalho. Na próxima semana devo me encontrar com minha orientadora para elaborarmos juntas minha apresentação.

De que modo o curso contribuiu para a realização do seu trabalho?
De todas as formas possíveis. Eu escolhi meu objeto de estudo porque tive acesso a ele em sala de aula, escolhi os conceitos que me ajudaram a sustentar a análise porque aprendi eles no curso, sanei todas as minhas dúvidas porque tive ótimos professores que me esclareceram tudo que precisei, etc. Se eu não tivesse feito esse curso, não seria possível desenvolver meu trabalho.

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