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Luiz Felipe Pondé fala sobre tendências da ‘Sociedade do Futuro’ em palestra das Semanas Acadêmicas UniToledo

Por Rafaela Tavares

Pessoas emancipadas, porém com uma tendências à solidão, convivendo com a presença disseminada da inteligência artificial no mercado de trabalho e grande volume de dados. O filósofo, professor e escritor Luiz Felipe Pondé descreve com essas características a “Sociedade do Futuro”, tema de palestra que ministrou na terça-feira (28) como atração das Semanas Acadêmicas UniToledo.

Ele explicou a um público composto por estudantes da instituição, ex-alunos, professores e convidados como ferramentas como a análise de comportamento de jovens e pesquisas feitas hoje com dados produzidos pelas atividades humanas na internet possibilitam uma reflexão sobre o futuro. Em entrevista ao UniToledo, Pondé comentou também o papel do conhecimento e como a ética das próximas gerações deve ser individualista.

O filósofo é autor de livros como “Guia Politicamente Incorreto da Filosofia”, “A Era do Ressentimento” e “A Filosofia da Adúltera”. Pondé é doutor em filosofia pela FFLCH (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas) da USP (Universidade de São Paulo), com pós-doutorado na Universidade de Tel Aviv.

– A partir das tendências da sociedade é possível encontrar evidências de como será a sociedade do futuro?
Você consegue. Claro que não no sentido de uma cartomante, mas você consegue associando análise de comportamento, que é uma coisa que já usei muito na Publicidade, analisar o comportamento hoje e identificar o que as pessoas vão querer daqui dois anos, mas não sabem, mas você já sabe, pelo modo como elas agem. E, além disso que em Publicidade se chama planejamento estratégico, você tem aí questões políticas, o estado da democracia, que tipos de tendências a gente percebe que a democracia está seguindo, tendências de comportamento no campo dos afetos (como as pessoas estão agindo e a tendência ao atomismo, individualismo). A gente também tem uma coisa importante que é o impacto da comunicação e das mídias sociais em vários níveis. Você tem outra tendência que é a entrada da inteligência artificial nos vínculos de trabalho e na produção, gerando impacto questões de empregabilidade.

– E o que já é possível dizer sobre as relações humanas nessa sociedade do futuro?
Há uma tendência à solidão. É um preço que se paga pela emancipação. Quando se fala em pesquisas de comportamento que envolvem jovens nascidos na geração de 1995 e 2007, você tem queda na atividade sexual, grau de desconfiança alto, insegurança com relação à identidade. Então, um dos problemas dos próximos anos seguramente será a experiência afetiva.

– Essa solidão e essa experiência afetiva de isolamento podem afetar a ética dessa geração?
Elas afetam a ética no sentido de que a ética se torna narcísica. Você tem um discurso abstrato, você vê os jovens falando que amam todos, mas na verdade, quando eles estão no consultório do analista, eles falam que transaram pela primeira vez e que agora vão dar um tempo pelo estresse. Há um nível de ansiedade muito alto. A gente falar em termos de ética, é provável que você tenha uma ética bastante voltada para os próprios interesses.

– O conhecimento terá um papel importante na sociedade do futuro?
O conhecimento tem um papel hoje em dia de forma difusa, principalmente como informação. É interessante que uma das consequências da ampliação da acessibilidade à informação é o desencanto com a democracia. Você começa a achar que todo mundo é picareta, que a democracia não funciona. Essa crise que nós estamos passando no Brasil não é só do Brasil. Claro que nós temos nossos problemas específicos. Mas o conhecimento, acessibilidade à informação e a capilarização das redes sociais têm nos ensinado coisas sobre as pessoas que abordo na palestra: ciência de dados, o que as pessoas mais buscam no Google. Os algoritimos são capazes de identificar isso hoje. Então, o conhecimento sem dúvida tem um papel importante, inclusive o conhecimento organizado nas universidades. Mas a ampliação das opções de trabalho tende a produzir mais solidão também, porque as pessoas vão se ocupando profissionalmente. Nós temos um futuro bastante interessante pela frente.

– O que você diria para o público formado por estudantes em relação às reflexões sobre os temas da palestra?
Antes de tudo, não se apeguem às expectativas falsas de que por serem jovens vocês têm que ser bem resolvidos. Eu resumiria a ópera dessa forma.

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