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Qualidade, Humanização e Inovação: Projeto Arquitetura e Engenharia Solidária UniToledo realiza reforma de casa incendiado e entrega é neste sábado

Por Aline Ceolin

O melhor aprendizado vem de experiências variadas, que unem o conhecimento formal das aulas e livros às atividades práticas. O Projeto Arquitetura e Engenharia Solidária (PAES) do UniToledo objetiva oferecer aos estudantes de Arquitetura e Urbanismo e Engenharia Civil da instituição a experiência da vivência da construção por meio de ações em causas sociais.

Será entregue às 16h30 deste sábado (7) a primeira casa reformada pelo Projeto, destruída por um incêndio. Na noite do dia 5 de maio de 2017, um incêndio destruiu totalmente a casa da aposentada Maria Sofia Gomes, de 85 anos, no bairro Umuarama, zona leste de Araçatuba. Sem recursos para recomeçar, as filhas, emocionadas, fizeram um apelo para que a casa da mãe fosse reerguida, através de matérias que apareceram em jornais e na TV local.

A casa da Dona Maria Sofia foi a primeira ação do Projeto PAES UniToledo. A aposentada recebe apenas um salário mínimo de benefício e sofre com deficiência parcial na visão, por isso o projeto da casa original foi parcialmente mantido, apenas com as alterações necessárias para atender às exigências de regularização junto a Prefeitura, além de questões como acessibilidade e a sustentabilidade.

REFORMA
A coordenadora do curso de Arquitetura e Urbanismo do UniToledo, Ana Paula Cabral Sader, explica que a estrutura da que restou da casa foi condenada, portanto tiveram que partir do zero.

“O reitor Bruno Toledo e a pró-reitora acadêmica Silvia Cristina de Souza nos chamaram, eu e o professor do curso de Engenharia Civil Pedro Hortolani, para saber se conseguiríamos construir uma casa nova para a Dona Maria Sofia, quanto tempo levaríamos e qual seria o investimento para fazer isso”.

Ana conta que a partir daí começaram a envolver os alunos, fazendo o projeto arquitetônico, o projeto estrutural, de instalações elétricas e de hidráulica. Depois disso iniciou-se o processo de regularização do projeto e da obra junto à Prefeitura Municipal de Araçatuba, desde o alvará de demolição da casa incendiada até a aprovação do projeto e o Habite-se, ainda em curso.

“Começamos também a buscar parceiros que ajudassem com materiais para a obra, não conseguimos isso no início do processo e, ainda assim, o Bruno disse que assumiria a obra, arcando com todas as despesas. Depois de iniciada a obra é que fomos, pouco a pouco, conseguindo parceiros que nos ajudaram com doações de materiais”.
A coordenadora conta ainda que um empreiteiro foi contratado para executar a obra, sob a sua supervisão. No contrato estava previsto que ele deveria estar disponível na obra também aos sábados, para que nesse dia os alunos pudessem acompanhar e participar de todas as fases da obra.

Ana explica que dado o número expressivo de alunos interessados em participar do projeto, tiveram que organizar uma escala de visita à obra, dividindo os alunos em dois grupos, um que estaria na obra das 8h às 9h30, e outro, das 9h30 às 11h, durante todos os sábados dos meses de março e junho de 2018.

“Por fim, o Bruno disse que também arcaria com as despesas dos móveis e eletrodomésticos, para que pudéssemos entregar a casa completa para a D. Maria Sofia. E os alunos também participaram da montagem desses móveis e da finalização da preparação da casa”.

Os projetos se iniciaram em junho de 2017. O processo de regularização junto à Prefeitura, em novembro de 2017. A obra teve início no dia 19 de março de 2018, tendo sido terminada no dia 25 de junho de 2018, ou seja, durou 3 meses e 1 semana. “De 25 de junho a 6 de julho, fizemos a limpeza da obra, acabamentos, recebimento e montagem dos móveis, e instalação dos eletrodomésticos”.

OPORTUNIDADE DE APRENDIZADO
Ana conta que a participação dos alunos foi ativa em todo o processo, desde o projeto arquitetônico até a montagem dos móveis, passando por todas as etapas da obra, incluindo busca por fornecedores e parceiros, numa grande oportunidade de aprendizado para todos.
Gabriel Farid Redondo, de 26 anos, acadêmico do 6º semestre do curso de Arquitetura e Urbanismo do UniToledo conta que foi um dos primeiros alunos a participar do projeto, estando presente desde os primeiros dias de intervenção.

“Em um primeiro momento descascamos as ruinas da antiga casa da Dona Maria, para tentar observar a integridade das paredes que ainda estavam de pé. Que no caso não estavam boas e precisaram ser demolidas”.

Gabriel explica que a partir disso participou da concepção do projeto arquitetônico em parceria com mais dois colegas de curso e um grupo de alunos do curso de Engenharia Civil, que elaboraram os projetos estrutural, hidráulico e elétrico.

“Quando as obras começaram participei de alguns dias de trabalho, desde a fundação, a construção do contra piso da área interna e externa, reboco dos muros, limpeza da obra e montagem dos novos móveis. É muito gratificante, a oportunidade de poder aprender e ajudar em uma causa social ao mesmo tempo”.

O ex-aluno da primeira turma do curso de Arquitetura e Urbanismo Eduardo Nogueira Carneiro, 49, participou desde a criação do PAS (Projeto Arquitetura Solidária) que após ser acolhido pelo UniToledo se transformou em PAES (Projeto Arquitetura e Engenharia Solidárias).

Eduardo participou dos encontros para discussão e elaboração do projeto arquitetônico e também de todos os encontros de trabalho realizados na obra, aos sábados, onde todos colocaram as mãos à obra, fazendo concreto, argamassa, contra piso, reboco, pintura, etc.

“Fiquei muito satisfeito com a qualidade do curso e sempre percebi o esforço contínuo da instituição e da coordenadora Ana Paula em oferecer o melhor. Sou muito grato por ter estudado Arquitetura e Urbanismo no UniToledo”.

Júlia de Souza Costa, 20, aluna do 6º semestre do curso de Arquitetura e Urbanismo conta que acompanhou a fase teórica, onde apresentaram a nova planta da casa, de forma prática, a acadêmica colocou as mãos na massa, aprendeu a fazer as muretas do fundo, onde fica a floreira da Dona Maria, e, com mais dois alunos, o reboco das paredes do muro e desempenhar a mesma, acompanhou a finalização da cisterna e o desenvolvimento da garagem.

A aluna descreve que os sentimentos de fazer parte do projeto foram alegria, felicidade, emoção. “Foi o que senti ao entrar na prática, sair da faculdade, ajudar o próximo, senti um prazer muito grande, nasceu uma disposição pra acordar cedo e começar o dia fazendo algo por outra pessoa, saber que eu fiz parte da história dela, e de ter a casinha de volta, agora com uma cara nova”.

Júlia destaca que com a execução desse trabalho pode ver como engenharia e arquitetura são áreas complementares, trabalham de forma distinta, e alcançam a perfeição quando em conjunto, não como concorrente ou rival.

“Me fez compreender que o meu curso não se limita apenas a construção, mas parte da criação e transformação de algo. Me ajudou a não sentir medo de entrar para este mercado de trabalho, não ter receio ou me limitar a algo, a arquitetura é muito ampla”.

Gabriel ressalta que a grande importância do desenvolvimento deste trabalho é de unir o lado humano com o acadêmico em um único projeto, colaborando para seu melhor desenvolvimento profissional e oferecendo experiências que não teria somente assistindo as aulas oferecidas em sala.

“Experiências como o contato direto com o cliente, visando entender as suas necessidades e adequar elas ao projeto, que no caso da Dona Maria era de extrema importância, por se tratar de uma senhora de idade com perda parcial da visão, e o dia a dia de obra, aprendendo as técnicas construtivas na prática, oque não é feito em sala de aula, me tornando um profissional mais completo”, destaca Gabriel.

Eduardo afirma que a formação é um processo contínuo de projetar, construir, avaliar, estudar e fazer melhor, pois o aprendizado não acaba nunca e a experiência prática de projetar e participar da construção daquilo que foi projetado é muito importante para o amadurecimento do Arquiteto como um bom profissional.

“O UniToledo abraçou a ideia e o PAES começou a funcionar. E pra melhorar o contexto, o PAES é um projeto social. A ideia inicial era de realizarmos pequenas reformas em casas precárias de famílias carentes, porém o primeiro projeto PAES-UniToledo, com o apoio do Bruno, encarou um grande desafio de reconstruir a casa da dona Maria Sofia. Foi um sucesso e estamos todos muito felizes com o resultado. Que venha o próximo!”, conclui Eduardo.

PROJETO PAES
O Projeto Arquitetura e Engenharia Solidária UniToledo (PAES) oferece aos alunos de Arquitetura e Urbanismo e Engenharia Civil do UniToledo a experiência de acompanhar todas as etapas de um projeto e sua construção, desde a concepção de projeto arquitetônico, estrutural, de instalações hidráulicas e instalações elétricas, até a parte prática de execução da obra, auxiliando a assentar tijolos, fazer o reboco e a pintura, por exemplo, sempre sob supervisão de professores e profissionais da área.

A iniciativa visa muito mais do que uma experiência prática e multidisciplinar aos alunos/voluntários, pois assume um caráter solidário, escolhendo famílias de baixa renda que residam em casas inacabadas ou em condições muito inadequadas.

Para o UniToledo, esse tipo de ação é importante por ser um exemplo de ensino transdisciplinar, que transcende as disciplinas de um curso, agregando várias áreas do conhecimento. É um exemplo de como ensino, pesquisa e extensão podem caminhar juntos com total êxito e como o aprendizado que se tem em uma universidade pode e deve extrapolar os muros dessa instituição, transformando-se em ações concretas. Além de ir ao encontro da missão do UniToledo como Instituição de Ensino Superior, que é transformar a vida das pessoas por meio do ensino de qualidade, por meio de uma formação humanizada e inovadora.

As atividades práticas, em canteiro de obras, fornecem bases sólidas para a formação do estudante e, principalmente, para a formação do espírito crítico, essencial à prática de projeto e, consequentemente, à formação de um bom profissional.

Por meio do Projeto pretende-se possibilitar aos alunos uma vivência de obra na qual poderão aplicar técnicas e conceitos básicos, porém fundamentais, da construção civil, de modo que essa experiência proporcione aos estudantes uma melhora nas suas habilidades, na qualidade do projeto arquitetônico e dos projetos complementares. E que, paralelamente, contribuam com causas sociais.

Segundo Ana, o número de alunos participantes é variável, dependendo de cada projeto, e a ação dos alunos é voluntária. No projeto da casa da D. Maria Sofia, 28 alunos se envolveram diretamente, além daqueles que tiveram ações pontuais, doando materiais ou auxiliando na busca por doações.

Participações efetivas: Arquitetura: 1º sem – 1 aluno; 3º sem – 4 alunos; 5º sem – 8 alunos; 7º sem – 3 alunos; 9º sem – 3 alunos; 3 arquitetos ex-alunos. Engenharia Civil: 2 alunos do 7º. Sem; 4 engenheiros ex-alunos. Professores Ana Paula Cabral Sader e Luiz Geraldo Teixeira de Arquitetura, professor Pedro Hortolani de Arquitetura e Engenharia Civil e o professor Wesley Pontes de Arquitetura e Engenharia Elétrica.

PRÓXIMOS
Ana Paula conta que ainda não há novos projetos previstos, mas estão começando a pensar nisso. O público alvo do Projeto é formado por famílias de baixa renda que residam em casas precárias e inacabadas.

Segundo a coordenadora o Projeto pretende atender preferencialmente famílias com crianças e/ou com seu provedor(a) desempregado(a), em pequenas reformas de residências inacabadas ou em condições precárias.

“É importante salientar que o PAES UniToledo reconhece como fundamental a participação dos profissionais habilitados para projetar e supervisionar as obras, os arquitetos e engenheiros civis, com a devida responsabilização técnica sobre elas”.

Ana também reconhece a fundamental importância dos profissionais que executam as várias fases da obra, como os pedreiros, eletricistas, encanadores, pintores e serralheiros, formando equipes que se envolvam num aprendizado mútuo que beneficiará a todos. “E, claro, a participação efetiva dos alunos, coroando em todo o processo”, conclui.

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