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Você no Mercado: A coordenadora Ana Paula Sader, fala sobre as possibilidades para quem se forma em Arquitetura

Rafaela Tavares

Casas, lojas, edifícios residenciais, shopping center, prédios públicos, escolas, teatros, parques, praças são alguns dos ambientes que arquitetos e urbanistas podem projetar e edificar. O profissional da área pode elaborar desde como será a edificação, os interiores, o paisagismo, a iluminação, até a acústica dos imóveis. Seu trabalho modifica as paisagens das cidades e deve acompanhar as mudanças comportamentais e tecnológicas.

“O arquiteto é um ser social. A arquitetura é reflexo da sociedade naquele momento”, afirma a coordenadora do curso de Arquitetura e Urbanismo no UniToledo, Ana Paula Cabral Sader. Segundo ela a arquitetura está ligada a aspectos culturais dos povos e, ao longo dos anos, apresenta inovações em relação a materiais, técnicas e necessidades a atender.

A coordenadora explica que o campo de atuação do profissional da área é vasto. Em entrevista, ela fala sobre as áreas com maior demanda, sobre a importância das especializações, sobre o perfil e a função social do arquiteto e urbanista. Confira:

LEQUE
O leque de atuação do arquiteto e urbanista é muito vasto. O mercado mais conhecido é dos escritórios de arquitetura e urbanismo, nos quais o arquiteto trabalha como um profissional liberal. Nesses escritórios, ele é um prestador de serviços e o serviço que a gente presta é o de projetos de arquitetura e urbanismo. Só que dentro da arquitetura há vários projetos: os arquitetura de interiores, de arquitetura comercial (lojas de ruas, de shoppings), de arquitetura escolar, as casas (que é o mercado mais conhecido), edifício comerciais e residenciais, shoppings, parques, teatros. Há os concursos públicos também que o arquiteto pode fazer. As Prefeituras estão sempre fazendo. Em dezembro teve um concurso muito bom da Prefeitura de São Paulo para arquitetos e urbanistas, por exemplo, com salário inicial de R$ 8 mil. Quando é aprovado em concursos do setor público, o profissional atua como na legislação urbanística ou na aprovação de projetos de edificação. Além disso, grandes empresas contratam arquitetos que tem necessidade de ter um corpo de funcionários.

ESCRITÓRIOS
Os egressos podem montar escritórios de imediato, o que eu não recomendo, porque quando a gente começa na profissão a gente está ainda muito inseguro. Eu recomendo aos alunos sempre para eles primeiro serem funcionários de escritórios um pouco maiores, para eles adquirirem um pouco mais de confiança. Afinal, trata-se de uma carreira que requer uma responsabilidade de técnica. Nós assinamos termo de responsabilidade técnica a cada projeto que fazemos, a cada obra que acompanhamos. Mas tem aqueles muito corajosos e, Deus ajuda, porque tem alguns que vão muito bem.

INTERIORES
A demanda maior atualmente está na área da arquitetura de interiores, também conhecida como design de interiores, porque as cidades estão muito estão construídas. Perguntaram para o Oscar Niemeyer uma vez o que ele construiria em São Paulo e ele falou “Uma praça”, porque as grandes metrópoles estão muito construídas. Não é o caso de Araçatuba, que ainda tem muito para se construir. Mas em geral, o que acontece? As pessoas fazem alterações nos imóveis internamente. conforme os usos vão mudando e novas demandas vão surgindo até em relação à tecnologia mesmo, há uma necessidade de alterar internamente com projetos de arquitetura de interiores, que faz girar profundamente esse mercado. Tanto é que há uma disputa: O CAU (Conselho de Arquitetura e Urbanismo) não quer deixar profissionais formados em design de interiores atuarem nessa área. O conselho quer que essa seja uma atribuição exclusiva dos arquitetos e urbanistas. É uma briga que está rolando aí, mas porque existe? Porque tem muito dinheiro rolando. São projetos que custam muito caro, que giram um mercado muito grande de piso, sofá, vidro, materiais de construção, e os arquitetos são os especificadores que interessam a esses comerciantes e fabricantes. É o arquiteto que especifica qual material mais adequado tecnicamente para cada projeto.

ESPECIALIZAÇÃO
Considero que é muito importante fazer uma especialização, porque a arquitetura e urbanismo é uma profissão de um campo muito vasto. O profissional pode ser paisagista, pode ser arquiteto que projeta edificações, pode ser um arquiteto de interiores, pode urbanista, pode se especializar em iluminação, acústica – e essa quase não tem profissional nessa área, apesar de haver igrejas e casas noturnas que precisam de isolamento de som. Nós temos que continuar a estudar, porque como a arquitetura é muito vasta e estudamos muita coisa na graduação, na hora que você vai para o mercado profissional há a questão de onde atuar. Às vezes, você pode deixar a vida te levar e assim descobrir qual área você vai ter de estudar. Ou não, você pode decidir que quer atuar em um segmento e estudar isso previamente. Acho fundamental porque a gente tem que apresentar um diferencial, como são as especializações.

INOVAÇÕES
Toda hora há algo novo: materiais, principalmente, mas também nos jeitos de fazer as coisas. Se a gente não acompanhar as mudanças comportamentais, de costumes e tecnológicas, a gente fica para trás. O arquiteto é um ser social. A arquitetura é um reflexo da sociedade naquele momento. A arquitetura denota aspectos culturais de um povo e vem a reboque dos hábitos e de conforme as coisas vão mudando.

PERFIL
Vou falar sobre arquitetos, mas o mesmo é válido para todos que querem ter sucesso: tem que ser flexível, adaptável às mudanças que são muitas e serão muitas mais; ter facilidade para lidar com pessoas; trabalhar em grupos diversificados. No caso específico do arquiteto, por ele ser um profissional liberal, todos os clientes são seus chefes, vão querer ser atendidos prontamente, ter o projeto mais bonito e os preços mais baixos. Você vai ter de atender a todos como seus chefes.

GRUPOS
Saber lidar com grupos de trabalho é fundamental, porque a gente trabalha com engenheiros, fornecedores, operários da obra, clientes, e cada obra é um grupo diferente. Se você não tiver traquejo, habilidade lidar com as adversidade, você não consegue atuar como arquiteto.

OBSERVAÇÃO
Além disso, acho importante ter curiosidade, ter senso de observação, o que vai incluir observar como as pessoas são, seus os hábitos, seus desejos e também o que é feito por arquitetos: o que é feito em Araçatuba, São Paulo, Brasil como um todo. Observe como os grandes arquitetos estão fazendo a arquitetura cotidiana, a arquitetura do dia a dia que aos poucos transforma a vida das pessoas e as cidades. Se a pessoa faz uma boa arquitetura em sua casa, ela melhora a cidade também.

FUNÇÃO SOCIAL
A função social do arquiteto e urbanista é muito importante. É algo que nós trabalhamos muito no curso. O projeto pedagógico do nosso curso tem essa fala logo no início: “A gente quer que nossos alunos sejam arquitetos e urbanistas sabedores de sua função social”. A gente ensina aqui a arquitetura do cotidiano. As arquiteturas espetaculares poucos arquitetos terão chance de fazê-la. Nós somos um país pobre, não temos dinheiro para fazer essas arquiteturas espetaculares e a gente tem de cuidar de fazer as casas e ruas bem-feitas. Dessa forma, nós transformamos as vidas das pessoas.

PRÁTICA
O nosso curso é muito voltado à prática desde o início. Temos a disciplina de projetos do primeiro ao décimo semestre como uma disciplina aglutinadora de todos os semestres, aliando teoria e prática. A gente se esforça muito para que esses alunos apesar de estudarem a noite possam fazer visitas técnicas – no horário de aula, aos sábados. Outra coisa que o curso faz muito e da qual eu tenho muito orgulho são os projetos de extensão. Alunos e egressos, por meio do Escritório Modelo, fizeram projetos do mercadão, parque acessível, requalificação do zoológico, casa da dona Maria Sofia, a Arena do time Real Madruga, e apresentaram à Prefeitura. São alunos muito engajados.