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Comunicação Eletrônica

Valdivo Pereira/Folha da Região-Araçatuba
O jornalista e professor José Marcos Taveira
O jornalista e professor José Marcos Taveira

Por Célia Damasceno, Ester Machado, Roberto Júnior e Vanessa Alves

Publicada em 15 de October de 2007

Jornalista há mais de 20 anos, o professor universitário José Marcos Taveira, 36, não tem receita para fazer um bom jornalismo. “Não existe dom”, afirma. Mas apoiado em sua ampla experiência, poupou sugestões, opiniões e observações muito práticas e diretas. “O segredo é saber contar uma boa história, ser curioso, querer saber algo mais que o oficial”, orienta.

Diz nunca ter sonhado ser professor, muito menos trabalhar com tecnologia. Começou a trabalhar em rádio aos 15 anos, seu sonho era ser locutor, apresentar música. “Na época, precisavam de alguém na parte da redação, e eu cuidava do noticiário de quatro emissoras”, lembra.
Um dia apareceu-lhe a oportunidade de trabalhar em jornal, foi tomando gosto e, como conseqüência, aperfeiçoou-se. Sua missão no jornalismo começou em 1996, quando o diretor do jornal Folha da Região montou um provedor em Araçatuba. Antes disso, cuidava da parte tecnológica dos computadores, já que, naquele tempo, não existia tanta loja de informática em Araçatuba. “Metade dos meus cabelos eu perdi por causa da informática”, brinca.
 

Pretexto – Em que o senhor acha que o meio on-line contribuiu para a vida dos leitores? Será que foi fácil o leitor menos experiente aderir a essa tecnologia?
José Marcos Taveira – Fácil não é, porque tem muita gente que tem medo de chegar perto do computador. Mas as pessoas têm necessidade de consumir informação, isso faz parte da gente, algumas não estão nem aí, mas outras, a grande maioria no mundo moderno consome muita informação. A Internet veio para ajudar a fazer isso, para colocar você mais próximo da informação. Hoje, se acontece alguma coisa no Japão imediatamente você já tem na internet. A chegada da Web 2.0 em que você interage com a Internet, deixou de ser uma Internet em que simplesmente se recebem serviços, você passa a interagir e a fazer parte dela. O meio on-line agilizou de uma forma tamanha e isso só tende a se aperfeiçoar.


Pretexto - Essa é uma tendência que, em sua opinião, veio para ficar e pode mudar a face do Jornalismo?
Taveira - Você sabe qual foi a pior frase que eu ouvi nos últimos anos? Foi de um dos homens mais rico do mundo, chamado Bill Gates, que falou que a Internet era uma coisa passageira. Hoje, a internet faz parte da nossa vida de uma forma tamanha, que se acontecesse uma “pane” que parasse os computadores do mundo, a maior parte do mundo se desligaria. As pessoas não se imaginam futuramente sem internet.

Pretexto - Como o senhor vê essa nova plataforma midiática, como o Google Earth?
Taveira - Para você ter uma idéia se hoje isso está para gente brincar imagina como era utilizado. Se você entra no Google Earth, você ou até maps da vida se aproximam tanto que eles chegam a 100 metros da gente, ta (Cic) certo que as fotos disponibilizadas são antigas. Muitos falam de invasão de privacidade, tudo bem, eu também acho que é uma invasão de privacidade, mas fazer o que, é tecnologia, o cara consegue localizar as pessoas. Toda essa grande tecnologia foi feita para guerra, é uma herança da guerra, então por mais que seja invasão de privacidade é o resultado de alguma coisa.

Pretexto - Como o senhor vê a utilização de vários meios de comunicação em uma cobertura de tempo real, a exemplo dos vídeos, os bancos de imagens anexados a uma matéria?
Taveira - É o essencial de hoje, é a Web 2.0 que tem se adequado ao jornalismo. Hoje você não faz uma entrevista só no papel, se  tiver todos esses nas mãos. Você tem que mostrar ao seu leito, tudo que é possível para que ele veja a notícia. Um infográfico, por exemplo, é capaz de mostrar como foi o fato. Então, se chegou uma época em que a pessoa não se limita mais a simplesmente ler uma informação ou ouvir a notícia no rádio ou só ver na TV. Porque a internet disponibiliza tudo isso ao mesmo tempo, texto, foto, vídeo. A gente consome informação como consume comida, que nem  bebe água. Eu digo que isso é o futuro, é a realidade da Internet para o jornalismo, quem não se adequar está fora. É interação total.

Pretexto - Como que é a dinâmica de uma redação on-line? As reuniões de pautas? O dia-a-dia da redação on-line?
Taveira – Olha a gente já tem a cobertura em tempo real, coisa que o jornal não tem. O que existe hoje são equipes multimídias que se integram com a redação. Hoje é o on-line que abastece o impresso, é uma equipe trabalhando 24 horas, passando informação para seu internauta. Você pensa em jornal, mas também pensa em internet, tudo é integrado, ninguém pode se dar ao luxo de dizer que é uma repórter de jornal impresso tem que se integrar se transformar em multimídia.

Pretexto – Em sua opinião, os jornalistas do impresso ou até mesmo da TV e rádio, vêem a Internet como uma aliada ou como uma vilã?
Taveira - Quando se integra às mídias, sempre há uma dificuldade. Quando se criou a Internet, eu estava organizando tudo, e as pessoas me falavam “Olha, eu sou contratado do impresso, não sou contratado do on-line, não tenho que escrever pra você”. No começo, você enfrentava isso. A TV é a mesma coisa. Você passa a trabalhar num lugar e as pessoas têm medo de mudanças, “todo mundo tem medo de mudança”. Você está no seu emprego e chega um chefe novo, todo mundo fica assim “Ai meu Deus, e agora? O que vai acontecer?” Quando você quer integrar, quer mudar modernizar, as pessoas temem isso. É assim à primeira vista. É que nem o conhecimento da informática, da tecnologia, as pessoas falam assim: “ai, eu não gosto”. Por que você não gosta? “Ah, eu me afasto disso aí”. Você sabe mexer? “Não”. Tem que pensar em trabalhar multimídia. Fazer o seu e o que os outros fazem também, você tem que estar um passo acima do seu colega. Porque se você é um tipo de profissional aproveitável e um dia a empresa tiver que fazer “corte”s, quem ela vai cortar? Aquele que sabe apenas ligar e desligar o computador, que é só um repórter do jornal impresso? Ou aquele que sai, faz a matéria, a entrevista, decupa, pensa multimídia, e faz tudo o mais? O que o empresário vai escolher? As pessoas têm que ter noção. Mas muita gente não tem, pensam que o computador “morde”, e ficam longe do bicho.

Pretexto - Como o senhor vê o jornalismo on-line brasileiro, hoje? E o que precisa para melhorá-lo mais ainda?
Taveira - Precisa acompanhar as tendências. Você tira como exemplo, o Globo on-line, a Folha on-line, e até mesmo o Estadão, que mudou muito,, tem qualidade visual, qualidade nos vídeos, é uma coisa muita bem feita. O único problema é a conexão telefônica, via cabo.

Pretexto - O senhor citou vários exemplos de jornalismo on-line. Qual considera melhor no Brasil?
Taveira - No Brasil, o melhor portal, na minha opinião, é o da Folha on-line, porque ele é completo, principalmente agora que ela começou a investir em “pod cast”. Mas o Estadão também está bem, o Globo, o G1 da globo também. É difícil escolher o ideal, porque todos exploram. A gente não está ruim de Internet, o brasileiro absorveu bem a idéia. Aqui no Brasil se fala bastante do Orkut, lá nos EUA, onde ele foi criado, o pessoal quase não usa, eles usam bastante o “my space” e outros.

Pretexto - E a questão dos blogs. Como o senhor os caracteriza? Eles podem ser caracterizados como veículos de comunicação?
Taveira - Sim, pode ser considerado como um veículo totalmente independente de comunicação. Porque você pode ter um blog para colocar coisas ou informações que você não colocaria na sua empresa. No blog, você é responsável pelo que escreveu. O único problema disso, que eu cito muito, é o caso de jornalistas famosos nos EUA, que foram demitidos por causa de blog. Os blogs são um dos maiores impactos da Web 2.0, porque você tira a leitura do próprio jornal on-line. A maior discussão é a respeito de uma palavrinha chamada credibilidade. Porque você passa a vida inteirinha para poder conquistar, e perde por uma simples burrada.

Pretexto – No caso dos blogs, o senhor acha que o jornalismo deixa de ser o dono da informação?
Taveira - Eu acho que não acaba a credibilidade da empresa jornalística. Porque isso foi conquistado, está ramificado. Pode mudar? Pode. O jornalismo cidadão pode crescer? Pode, e está crescendo. Na Espanha existem jornais que são formados com notícias feitas só por leitores. Eles ficam com uma redação montada em lugares de movimento, e quando você passa, eles te chamam para escrever alguma coisa. É a mesma coisa quando se criou a Internet. Eu me lembro de uma entrevista que fiz com Genilson Senche, o dono da Folha da Região. Ele era jornalista e uma pessoa muito visionária. Eu perguntei pra ele se ele achava que iria acabar o impresso por causa disso! Isso foi em 2000, quando a gente lançou o portal. Ele falou que não, que a Internet vem pra se integrar com o jornal impresso. É o que está acontecendo e o que vai continuar acontecendo. Quando surgiu a TV, disseram que ia acabar o rádio. E hoje vemos que não foi assim.

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